Relato Sumário do Debate “A Polémica da Calçada Portuguesa” de 18 de Junho de 2014

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No dia 18 de Junho, decorreu um debate sobre a calçada portuguesa no Centro Comunitário da Madragoa, pelas 18:30. O debate contou com a presença de Diogo Martins, do movimento (d)Eficientes Indignados; o Arq. Luís Marques da Silva, do movimento Cidadania Lx; o Arq. Pedro Homem de Gouveia da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e como anfitrião pelo nosso movimento esteve Rui Martins, para além de bastantes populares na plateia.

Após as apresentações feitas pelo MaisLisboa, com apresentação dos objectivos deste núcleo local a associação MaisDemocracia e do porquê deste debate, o primeiro orador foi Diogo Martins que referiu que o seu movimento defende em primeiro lugar o que está no Plano Pedonal de Lisboa, em que estão previstos mais acessibilidade a pessoas de mobilidade reduzida. Também defendeu no seu discurso que a calçada cria alguns problemas aos deficientes sendo escorregadia quer para quem utiliza canadianas, quer até mesmo para quem se desloca de cadeira de rodas isto sem esquecer da trepidação nas cadeiras provocada pelos espaços entre pedras e questionou todos os presentes se não poderiam existir mistura de materiais nos pavimentos. Disse que a qualificação da calçada do que é verdadeiramente necessária para de poder distinguir-se o que é património do que não é. Por fim mencionou que a seu ver as zonas da cidade mais recentes, como o Parque Expo, era desnecessário a construção de calçada portuguesa.

O Arq. Luís Marque da Silva iniciou o seu decurso mencionando que não se podia fazer generalizações e que deve-se ter muito cuidado quando as usamos. Que a mistura correcta da calçada (em Lisboa) é entre o calcário branco e o basalto e não o calcário negro. Pois no norte a alternância é entre o o granito e o calcário branco. “O basalto é áspero o suficiente e anti-derrapante para que não haja problemas para deficientes ou quaisquer outras pessoas” assim falou Luís Marques da Silva. Falou também sobre a falta da boa execução e de fiscalização dos trabalhos recentemente realizados uma vez que são executados por pessoas sem profissionalização de calceteiros, pois se o fossem “nem se quer uma folha de papel passaria entre as frestas das pedras”. Demonstrou também que este tipo de pavimentação já não é só exclusivo de Portugal mas quer já está a espalhar-se pelo mundo inteiro e que já há cidades pelo mundo inteiro que, com os nossos profissionais (a serem bem pagos), que executam bons trabalhos e que essas cidades os mantêm. Uma dessas cidades é Viena de Áustria e o orador exibiu fotografias desta cidade com estes trabalhos de calçada e também de uma senhora que calçava sapatos com salto alto de altura considerável e pouca base que passeava sem problemas de qualquer ordem sobre a calçada. Referiu também alguns procedimentos técnicos a serem tidos em conta que não estão a ser postos em prática e que “não há bom nem mau, há bem feito e mal feito! Há que ter fiscalização e manutenção!”

Por fim o Arq. Pedro Homem de Gouveia falou e começou por lembrar o Plano Pedonal de Lisboa no sentido de que é um plano estratégico e que não é um regulamento, mas que influência regulamentos e formas de trabalhar na Câmara Municipal de Lisboa, que o plano é feito para todas as pessoas, deficientes ou não e no âmbito de evitar barreiras para todos o cidadãos. Na sua construção foram chamados para debate varias organizações da sociedade civil e vários departamentos da CML. Segundo o Arq. Pedro Homem de Gouveia, no decurso do estudo para o Plano Pedonal de Lisboa tiveram-se vários factores em conta tais como: inclinações de rua, barreiras físicas para pessoas de mobilidade reduzida, a perda de largura de passeios, a rede rodoviária, etc. Por parte da CML há uma mudança de paradigma em que o transeunte que não estava no centro das atenções e vai passar a estar.

O actual plano assenta em 3 princípios:
…Os peões têm direito a caminharem com conforto, segurança e de acordo com as suas necessidades;
…Os passeios estão frequentemente em más condições e os cidadãos com mobilidade reduzida são as suas maiores vítimas;
…A calçada é um produto artesanal que quando é produzido em massa, é-o com baixa qualidade

Deste modo, o arquitecto disse ainda que mais facilmente os cidadãos se queixam de um asfalto danificado do que de um pavimento de passeio, que não é intenção da CML destruir este património, que a calçada portuguesa é fruto do trabalho artesanal e que não dá para fazer de outra forma o que é extremamente complicado manter este ritmo em plena industrialização e maquinação dos métodos de construção, que CML vai distinguir do que tem valor do que não tem valor, que a CML vai classificar a calçada e que isso irá protegê-la bem como fazer com que haja um “estatuto” da profissão para melhor protecção desta classe, que a escola de calceteiros está sem candidatos porque não há voluntários e que não há estudos dos bons pavimentos, que já existiram 400 calceteiros e que hoje há 14, sendo que há só 4 conhecedores de todas as técnicas. Por fim cita-se a frase que tanto corre na comunicação social: “a Câmara não vai acabar com a calçada!”

Da plateia ainda foi lembrado que esta arte teve inicio com presos a trabalhar este tipo de arte e que aos poucos foram-se introduzindo trabalhadores remunerados. Fui dela que se referenciou o facto de que desde Macau à cidade do Rio de Janeiro, passando por tantas outras cidades das antigas colónias em que é mantido este tipo de piso e que não deve terminar aqui este ato para a protecção desta arte e que seria necessário dar continuidade a este trabalho, que sabe até mesmo com um segundo debate.

O +Lisboa registou todas estas posições e fará o melhor que souber para defender esta arte

One thought on “Relato Sumário do Debate “A Polémica da Calçada Portuguesa” de 18 de Junho de 2014

  1. ” Contre rendu” muito importante para pessoas interessadas, mas que nao poderm estar presentes,dum debate bastante util sobre a Calçada Portuguesa. Felicitações ao Maislisboa por esta organização, esperando que este movimento continue nesta via de discussão participativa sobre tantos problemas da nossa cidade.

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