Foram suspensas as obras dos Terraços do Carmo (contíguas ao Convento do Carmo): O alerta MaisLisboa de 17 de setembro)

Em 17 de setembro, o MaisLisboa enviou à CML o seguinte alerta:
para a existência de várias anomalias nas obras de requalificação dos Terraços do Carmo e para o seu impacto na frágil estrutura do Convento do Carmo, assim para a existência de vários sinais de que algo estaria a correr muito mal. Não recebemos qualquer resposta dos serviços da autarquias, constatámos (com agrado) que o nosso alerta correspondia a uma situação de risco efetivo, agravado pela chuva dos últimos dias, como descreve um artigo de o Corvo”:
“A aparente suspensão dos trabalhos de requalificação dos Terraços do Carmo, que assegurarão a ligação entre a Rua Garrett e o Largo do Carmo, através do denominado Pátio B, poderá estar a pôr em perigo a estabilidade dos terrenos e dos edifícios em redor do Convento do Carmo. Por isso, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) prepara-se para aprovar a adjudicação de uma empreitada urgente visando a garantia de estabilidade e segurança dos taludes e respectivas zonas, edifícios e monumentos adjacentes.”
Texto completo do alerta MaisLisboa de 17 de setembro:

“0. Introdução

A construção Quatrocentista do Convento do Carmo foi bastante difícil e haveria de revelar uma série de problems de engenharia que levaram o conhecimento dos seus arquitectos até aos limites da época. Sobretudo, houve que lidar com problemas com os alicerces, devido ao solo arenoso e a escarpa instável. Ainda em 1399, surgia uma fenda no portal axial e no pilar sul exigindo uma intervenção corretiva. O grande tremor de terra de 1755 deixaria o edifício essencialmente no estado em que se encontra hoje, tendo ainda o abalo sísmico de 1969 provocado alguns danos adicionais. Estamos portanto perante um edifício várias vezes centenário, construído numa zona complexa e que já parcialmente em ruínas. O cruzamento destes factores leva a que deva existir o máximo cuidado em qualquer intervenção no edifício ou na sua área envolvente. A existência de obras no local desde 2009 (com parecer favorável do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) deve ser assim acompanhada pelo maior dos cuidados e leva o MaisLisboa.org (núcleo local da associação MaisDemocracia) a colocar a pedir os seguintes esclarecimentos à Câmara Municipal de Lisboa:

a. As fundações das zonas mais sensíveis do Convento foram objecto da instalação de microestacas revestidas com tubo de aço, conforme se pode ver nas fotos 100045 e 100048, tendo havido a preocupação de, junto aos cunhais proteger a estrutura existente com estas microestacas. Contudo, nas fotos 100713, 100810 e 100842, é visível que o escoramento é muito deficiente, sendo que o sistema de escoramento (foto 100713) está mal executado pois o calço em madeira deveria ter um contraventamento lateral por forma a que em caso de assentamento/deslizamento não descolasse do escora. Esta situação será corrigida a muito breve prazo, como exige a sensibilidade do local e a fragilidade do edificado?

b. Comparando a fotografia 1 (princípios de agosto 2014) e a 2 (16.9.14) observa-se uma considerável exposição acrescida das fundações do convento. Esta erosão terá sido provocada pela pluviosidade dos últimos dias, coadjuvada pela circulação de veículos e trabalhadores da obra de requalificação dos Terraços do Carmo. Esta situação está sob controlo e representa algum de ameaça estrutural para o Convento?

b. As estrutura de subsolo, junto à parede lateral do Convento, está exposta e permite a entrada de águas pluviais à subestrutura deste muro. A acumulação de águas nas fundações não representa um risco estrutural (a somar ao apontado em 1)? A retenção de água no solo é evidentemente prejudicial à estrutura, e a mesma é reveladora da saturação do terreno, mostrando que foram impermeabilizados os solos adjacentes com a execução das obras afectando com isso o normal escoamento das mesmas. Esta falta de drenagem do local está relacionada com as obras da plataforma (a cimento) no terraço da Rua do Carmo?

c. A fotografia 3 expõe uma acumulação de água junto ao muro lateral. Esta situação compromete a robustez da sua fundação?

d. Todo o terreno que rodeia o convento está saturado de água (fotografia 4, 5, 6, 7). Existe uma adequada drenagem de águas pluviais no terreno desta parte da obra? Este pequeno lago está a algumas dezenas de metros do Convento e é acompanhado por várias outras acumulações de água noutros locais deste terraço.

e. As intervenções de 1955 para consolidação de arcos e cunhais com betão continuam nestes arcos (fotografia 8, 11, 14). Nas obras de requalificação prevê-se a substituição destas antigas intervenções em betão por outras soluções – mais modernas e esteticamente mais discretas? Por outro lado, alguma destas reparações em betão é posterior a 2009?

f. A instalação recente de várias cunhas e de outras estruturas de reforço existiu por terem sido detectadas algumas fissuras posteriores a 2009? (fotografia 9, 10, 12). Estas instalações as do tecto da Igreja, as das janelas sul e do arco sul são provisórias ou permanentes?

g. As fissuras do arco (fotografia 15, 16) que se observam no acesso pedonal ao Elevador de Santa Justa são recentes, conforme aparentam? A sua evolução tem sido acompanhada e evolui desde 2009? Em particular, existem medições regulares, com teodolito, num mapa de leituras diárias? (só assim com segurança se pode afirmar que o edificado do Convento não correrá o risco de colapsar). A existirem, essas medições têm registado alguma anomalia desde 2009?

h. Poderão informar quem é o projectista responsável pelo projecto de contenções e escoramento e qual é o plano de instrumentação da envolvente? Se existir, este plano apresenta instrumentos tais como alvos topométricos na contenção, alvos na envolvente edificada, marcas de nivelamento e clinómetros?”

(fotografias no link)

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