Sobre a multiplicação de grades e gradeamentos na Avenida Almirante Reis como resposta ao aumento de cidadãos Sem Abrigo nessa artéria lisboeta

A notícia que dá conta da multiplicação da instalação de novos gradeamentos nas arcadas dos prédios da Avenida Almirante Reis como forma de afastar destes locais os Sem Abrigo que aqui pernoitam.

O fenómeno dos gradeamentos tem-se intensificado, sem licenciamento, nem reacções por parte do executivo camarário perante esta situação. Sobretudo, este problema é resultado de uma alteração da situação dos Sem Abrigo em Lisboa: o seu quadro demográfico está a mudar e há sinais de que a sua quantidade também se alterou, para pior.

Perante esta alteração, propomos que aborde de forma decidida e corajosa este problema. Simultaneamente, a Autarquia não pode tolerar que este tipo de “soluções” se multipliquem, tornando uma das principais vias da cidade num monstro urbanístico, pleno de grades e gradeamentos metálicos.

O perfil do Sem Abrigo em Lisboa está a mudar. O que faz a CML a este respeito?…

O mapa dos cidadãos Sem Abrigo em Lisboa está a mudar: são cada vez mais novos e com menos problemas de saúde mental ou toxicodependência. O estudo da Misericórdia de Lisboa revela um segmento da população lisboeta que se alterou radicalmente nos últimos anos, depois do agravamento da crise económica a partir de 2008.

Os censos de 2011 davam conta da existência de 696 sem abrigo em Portugal, dos quais 241 só em Lisboa, sabendo-se que este número deverá estar muito subavaliado constituindo no maior drama humano e social que enfrenta o município lisboeta.

Perante a escala e gravidade do problema seria de esperar encontrar uma estratégia e ação decisivas por parte do executivo camarário, com a multiplicação de programas de recuperação para a vida ativa, a disponibilização de espaços de acolhimento e apoio social adequado. Contudo, quase nada tem sido feito, registando-se aqui uma demissão sistemática do executivo de António Costa para com este problema, recuando das suas responsabilidades e deixando as ONGs e associações que enfrentam este problema praticamente sozinhas.